A família é uma instituição que propicia o desenvolvimento e aprendizado do individuo em diversos sentidos, tanto em seus processos de subjetivação quanto nas relações sociais, conceituar família torna-se tarefa árdua uma vez que esta sofreu várias transformações ao longo da história devido a fatores sociais, econômicos, culturais e de ambiente. O sujeito o é, quando reconhecido pelo outro, e a família permite esse primeiro reconhecimento de si, instituição fundamental para construção da identidade.

Para (BOCK, e colaboradores), após a segunda metade do Século XX, esta instituição social passou por várias mudanças. Atualmente coexistem várias formas de estrutura familiar, mas sua importância na vida do jovem continua se fazendo relevante. Esta instituição pode ser fator de risco ou proteção para sobrevivência física e psíquica da criança, por ser o primeiro grupo de mediação do sujeito, poderá influir em sua forma em lhe dar com as adversidades ao longo da vida, possui papel importante na internalização da cultura de seus membros, propicia favorece barreira nos vínculos sociais do sujeito. A sociedade atual, sobretudo no ocidente pode ser entendida sob a perspectiva da “modernidade líquida”, como marcadamente caraterizada por:

(…)desapego, provisoriedade e acelerado processo da individualização; tempo de liberdade, ao mesmo tempo, de insegurança. Tal contexto pode ser definido pela palavra alemã Unsicherheit que significa: falta de segurança, de certeza e de garantia. (TFOUNI. SILVA 2008. Apud BAUMAN, 2015).

Sobre esse viés, a família na atualidade recebe e reproduz esse individualismo e insegurança, o indivíduo passa a apropriar de uma postura geradora de conflitos sistêmicos onde os laços afetuosos são diminuídos, retroalimentando o individualismo e um conflito de valores, e consequentemente aumentando o sofrimento psíquico. A sociedade líquido-moderna de consumidores promete felicidade fácil que pode ser obtida por meios não heroicos e, portanto, ao alcance de todos que tenham possibilidades de consumir (BAUMAN, 2007). o pensamento complexo, (MORIM, 1998) mostra-nos que a família produz esses modos de viver na sociedade, os quais recursivamente a produz. Assim, familiares / cuidadores são produtos e produtores de relações que têm, como efeitos, funcionamentos abusivos e mudanças de valores, que justificam a busca de satisfação imediata de necessidades nas diferentes instancias do viver em sociedade. ( lins, 2009. P.44. apud. BAUMAN, 2007. MORIM 1998).

A família pertence a um sistema de micromundos individuais e as relações assim como na sociedade liquida, passam a substituir os laços de solidariedade pelo isolamento e o sujeito inserido neste contexto recorre a formas solitárias de amenizar suas angústias e insegurança. A busca de substâncias psicoativas cada vez maior pode estar também relacionada a esta necessidade em amenizar o sofrimento uma vez que a solidariedade também no contexto familiar não é mais um recurso primordial. Dentro deste setting, há um sujeito que por questões biopsicossociais estará em maior vulnerabilidade, o adolescente.

O conceito de adolescência advém de uma construção histórica, cultural política e compreende diferentes parâmetros, significados e conceitos. uma das leituras críticas que tem se apresentado é a realizada pela Psicologia Sócio-Histórica. Segundo essa concepção, a adolescência é uma construção da modernidade e tem a ver com as necessidades e as formas de vida impostas pela sociedade industrial às crianças e aos jovens. (BOCK, FURTADO, e TEIXEIRA. 2008. P. 299) também a definição do termo por entidades oficiais para fins legislativos, constitucionais, econômicos, políticos, da saúde, proteção e direito. Em nossa sociedade o adolescente compreende o sujeito que está entre a puberdade e a fase adulta. Sobre as definições estabelecidas sobre o conceito temos aquelas definidas pelo Estatuto da Criança e Há Adolescente (ECA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS): Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), essa fase é compreendida dos 12 até os 18 anos de idade. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) diferencia adolescência e juventude, a primeira compreende a faixa dos 10 aos 19 anos, e a segunda se estende dos 15 aos 24 anos (Brasil, 2010). ( SILVA, RODRIGUES, GOMES. 2015) Ainda que a adolescência não seja uma fase homogênea e que há um discurso ideológico e patologizante, acerca do termo, a fase de desenvolvimento a qual se refere possui mudanças significativas sociais, físicas, psicológicas e estas características podem gerar no sujeito conflitos temporários em estâncias diferentes. Daí a importância de que este sujeito esteja inserido em uma família que una as características e ou adquirem ferramentas necessárias para que essa transição ocorra sem significativos prejuízos como no caso a dependência química, e que caso ela se instale, seja capaz de lhe dar com esta questão de forma eficaz. Para tal torna-se necessário estudos e projetos em políticas públicas que abordem a questão. Acreditamos que a convivência familiar possa favorecer estranhamentos quanto às mudanças impostas pelos novos modos de ralações contemporâneos. Nesses, os processos de subjetivação se estabelecem através do hedonismo, do seu consumo acrítico, da valorização do efêmero, do descarte e de práticas excludentes. (LINS, 2009, apud SARAIVA, 2000).

Considerações Finais:

Na atualidade vivemos uma transição de perspectivas, projetos de vida, valores. Empenha-se muita energia no “ter” e não no “ser”. Assim, se torna ponto de atenção o fato de que o “ter” é passageiro, com prazo de validade de satisfação bastante curto. Nesse contexto, as drogas vêm tamponar as lacunas do vazio existencial que ocorre quase initerruptamente nos jovens que ainda estão inexperientes em relação ao processo de resiliência. Assim se faz necessário quando há possibilidade, de uma família que atue como fator de proteção e alicerce para que a criança e o adolescente aprendam lidar de maneira menos árdua com as frustações.

Referencias:

TALITA ALVES DIAS; FRANCIELLE GONZALES CORREIA; TOXICOMANIA E SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: ARTICULAÇÕES; Vol.24; n.1; pp.90-97; Out -Dez 2015

Fabio Elias Verdiani Tfouni; Nilce da Silva; A modernidade líquida: o sujeito e a interface com o fantasma; Revista Mal Estar e Subjetividade; Fortaleza/Brasil; Master Editora The Brazilians Open Acess Journals; 11 de fevereiro de 2008

TALITA ALVES DIAS e FRANCIELLE GONZALES CORREIA, TOXICOMANIA E
SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA; Paraná / Brasil; Revista UNINGÁ Review; 08 de
setembro de 2015

Fabio Elias Verdiani Tfouni; Nilce da Silva; A modernidade líquida: o sujeito e a interface com o fantasma; Revista Mal Estar e Subjetividade; Fortaleza/Brasil; Master Editora The Brazilians Open Acess Journals; 11 de fevereiro de 2008

Mara Regina Soares Wandeley Lins; Políticas Públicas na (DES)Atenção à Família com Drogadição; 2009; 95f; Dissertação (Mestrado em Psicologia Social); Pontifícia Universidade Católica/Rio Grande do Sul; Porto Alegre.

Ana Merces Bahia Bock; Odair Furtado; Maria de L; Psicologias: Uma Introdução ao Estudo de Psicologia; Edição; Cidade de Publicação; Editora; ano de publicação; Número de páginas.

Aline Gomes da Silva; Thais Christina do Lago Rodrigues; Katia Varela Gomes; Adolescência, vulnerabilidade e uso abusivo de drogas: a redução de danos como estratégia de prevenção; Vol. 15; n. 33; PP. 335-354; MAIO – AGO. 2015

Mara Regina Soares Wandeley Lins; Políticas Públicas na (DES)Atenção à Família com Drogadição; 2009; 95f; Dissertação (Mestrado em Psicologia Social); Pontifícia Universidade Católica/Rio Grande do Sul; Porto Alegre.

Júlio Cesar Ribeiro porto
Professor de História
Coordenador em CTs
Graduado em Psicologia
sofrimento psíquico.

Deixe seu comentário