Ser dependente químico não é fácil, conviver com uma doença incurável, progressiva e fatal é como se você estivesse todos os dias à beira de  um abismo sem equipamento de segurança e ninguém pra te puxar para trás.  Mas então porque escolher ficar nessa situação? O que leva uma pessoa à ser dependente químico? Essa pergunta e outras que podem estar passando pela sua cabeça mas é necessário entender um pouco da fisiologia do cérebro. Diferentemente dos outros textos, ao final deixaremos um formulário para que você possa nos deixar sua opinião, e se esse texto o(a) ajudou.

Cérebro e sistema de recompensa.

O cérebro é uma máquina maravilhosa. Desenvolvemos ao longo do processo evolutivo características como fala, a capacidade de nos moldar e adaptar ao ambiente em que estamos  vivendo de maneira nunca vivida na história da humanidade.  Desde os primórdios convivemos socialmente com nossos iguais e aprendemos muitas coisas como, forjar elementos, viver em sociedade e transformar o ambiente. Somos os sapiens dos sapiens graças ao desenvolvimento fantástico desse órgão em nosso processo evolutivo.

Ele nos trouxe a consciência, a capacidade não só de aprender, mas de cruzar as informações necessárias juntamente com os instintos para podermos nos manter dentro do processo evolutivo e consequentemente no topo da cadeia evolutiva que conhecemos atualmente. Temos uma consciência que nos difere um-à-um dos demais, mas ao mesmo tempo temos uma lembrança inconsciente e genética impressa como se fosse uma tatuagem neste fascinante órgão. Aprendemos coisas, e as gravamos.

Sentimos emoções boas e ruins, conseguimos lembrar de tudo que nos trás felicidade e sem precisar fazer muito esforço, esquecemos do que nos faz mal progressivamente. Tudo à imensa capacidade de processamento dessa máquina sensacional. É dentro deste emaranhado de processos que existe um sistema de recompensas. Onde o que é bom fica, o que é ruim, vai embora. Simples assim? É em teoria sim, mas não tão simples como parece.

Saciedade imediata

Para exemplificar, vamos imaginar que você caminhou muito e está com sede.  Então, sabe que se tomar água vai estar saciado, e esse desconforto que está sentido da sede, vai passar. Mas não é qualquer tipo de água que te saciará. Se você for até uma praia e beber a água do mar, provavelmente sentirá mais sede e, como consequência, passará mal ou até em casos extremos morrerá.

Mas você sabe que se tomar água limpa e com uma quantidade de sal relativamente baixa, ela o saciará, então você procurará esse tipo de água novamente.  Na dose certa, como em um copo ou alguns, dependendo da sua sede, você estará saciado e seu cérebro provavelmente ira dizer à você. “Chega! Você não precisa de mais.”

Mas imagina que o seu líquido preferido é água e que você gosta muito dele, mas que ao invés de você tomar o necessário, acaba por  beber uns 3L de água de uma só vez, sendo de qualquer fonte limpa ou não devidamente tratada. Você acaba saciando sua sede, mas ao final começa a passar mal. Fica querendo urinar, o estômago dói e de repente você se sente empanturrado. Pensar em água te faz tão mal que você quer vomitar, e por fim arroja. Além do mais, você tomou água de procedência ruim e piorou ainda mais a sua situação, você acabou por ficar doente.

Quando isso acontece, em um cérebro normal, você aprendeu que ao tomar água em demasia e de qualquer tipo de fonte, mesmo com muita sede, te fará mal e te adoecerá. Então você controla esse instinto de saciar a sede exageradamente e passa a tomar alguns copos d’água, de fontes seguras até se sentir saciado. Mas, em um cérebro adoecido em que a questão de tomar a água é algo incontrolável, e a sensação de saciedade se sobressai diante das consequências. É como se você sempre quisesse tomar um monte de água, seja ela de qualquer fonte e em quantidades exorbitantes. Então seu cérebro apenas registra que beber muita água é ótimo, independentemente do que lhe trará como consequência.

Córtex pré-frontal e dopamina

Quando você come algo que você ama, tem orgasmos em relações sexuais, se apaixona, faz exercícios físicos, dá muitas gargalhadas, ou relembra de situações agradáveis, o seu cérebro ativa áreas diferenciadas. Esse prazer ou sensações de bem-estar que você sente, está associado à uma parte do cérebro chamada córtex pré-frontal e é neste lugar que está o sistema de recompensa e os seus processos químicos. Existe um neurotransmissor  chamado “Dopamina”, e é essa a substância que está ligada à questão do prazer em certas áreas do cérebro. Dependendo do que você fizer, vai produzir muita dopamina e que será absorvida por outra área do seu cérebro que como resultado te trará uma sensação enorme de prazer. E é nesta substância que resulta em prazer, e que está ligada à questão de se tornar ou ser um dependente químico.

 Nicotina, Cocaína e Crack e motivações

Usuários desses agentes sentem recorrentemente a motivação intensa para ingerir esse tipo de substância mesmo que isso lhes traga prejuízos. É como citado anteriormente no exemplo da água. Você deixa de avaliar as consequências de tomar  água em demasia e de qualquer fonte e passa a lembrar apenas da sensação de ingerir a líquido. É como se você apenas esquecesse das consequências mas só lembrasse da ingestão da água. Então o seu cérebro iria recorrentemente fazer com que você buscasse água.

Atualmente pra facilitar ou piorar, descobrirmos em certas substâncias formas  mais rápidas e potentes de ativar esse sistema de recompensa. A nicotina, cocaína e crack, são agentes que aumentam exponencialmente a produção de dopamina de uma forma imensurável e como consequência a rápida absorção da mesma. É algo tão potente em um espaço de tempo tão curto que a sensação de prazer ou orgástica é indescritível. Ou seja, o cérebro vai lembrar do que é bom e esquecer do pós-uso (mal estar). Sendo assim recorrer a substância com frequência se sobressai em relação as futuras consequências negativas que estão por vir no ciclo de uso frequente ou seja o processo de vício da substância.

Recompensa e inconsequência

Por fim, esse comportamento recorrente de procurar a substância em questão leva uma pessoa à ser um dependente químico ou progressivamente à se tornar um. Pois o cérebro quer manter esse sistema de recompensa ativo através destas agentes e acaba por esquecer as futuras consequências. Às vezes esses químicos servem de supressores emocionais, onde traumas do passado ou agentes emocionais do passado sejam esquecidos. Criando uma relação irrefutável entre sujeito e substância, entre uso e supressão e justamente adentrando da área do comportamento adictivo. É como se o cérebro continuasse sempre pedindo mais e mais substâncias. Com o intuito de liberar ou manter os níveis dopaminérgicos elevados e como consequência, uma sensação prazerosa sempre presente mas ao mesmo tempo inconsequente.

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